Terça-feira, Julho 18, 2006

Pesadelo I

Nuvens negras acercam-se de mim.

Um nevoeiro tenebroso tolda-me a mente,

Destrói-me o pensamento,

Dilacera-me a alma,

Corrói-me o coração,

Encontra-me o âmago,

Sussurra-me pesadelos inimagináveis.

Solta-se a minha voz

Num turbilhão de sons indistintos

Vindo de nenhures.

Altera-se o meu Eu

E transformo-me num Nada,

Destruído, dilacerado,

Corrompido.

A vida esvaiu-se por entre as minhas mãos fechadas

Em concha apertada.

Deixei-a fugir,

Dividi-a em fragmentos indistintos

De Morte inviolável.

O sangue escorre pelas paredes,

Mescla-se ao chão.

Assaltam-me memórias reprimidas

Pela consciência magoada.

Memórias de Morte,

Mórbidas até ao seu núcleo

Odioso

Feito de repressões, depressões,

Ilusões.

Salvam-se as memórias boas

Algures perdidas num resquício

Distante

Do meu Eu tresmalhado,

Do meu Eu sofrido,

Do meu Eu colhido

E ceifado ao meu mais interior espírito.


Sorry...

Illiar

Sábado, Abril 08, 2006

Finalmente Feliz



A vontade de matar,
De morrer às mãos de alguém que me matou por dentro,
Chorar todas as lágrimas de raiva e tristeza e sofrimento e traição
Que me acometem agora,
A vontade é grande.

Mas a coragem não chega.
Terei de esperar nesta falsa calmaria,
Proteger-me dos perigos constantes,
Alinhar-me com as estrelas
E percorrer mundos sem fim,
Enquanto a minha coragem se esvai
Juntamente com os meus batimentos cardíacos.

Terei de correr pelo campo de minas que é a vida,
Terei de sofrer as atrocidades da visão,
Terei de morrer às mãos de alguém,
Para no fim ser feliz?

O sofrimento não me diz nada.
Só a sorte de quem não sofre é que me diz tudo.

Concluo a teoria ao perceber que nada me diz tudo,
Que não obtenho respostas em sofrer,
Que a vida não tem de ser vivida assim.

Concluo que aquilo que tenho andado a desperdiçar
Vale muito mais do que cada momento
Que desperdicei a verter lágrimas.

Concluo que tudo o que passei foi em vão...

Renasço então das cinzas,
Caminhando por uma vida melhor,
Estudando cada passo meu,
Cada volta do mundo,
Cada gota de chuva que cai,
Cada vida que nasce,
Cada vida que morre,
Cada canto de pássaro,
Cada movimento do sol,
Cada sopro de vento,
Cada suspiro que dou.

Sou agora feliz...

What am I gonna do?,

Emanue
l

Sexta-feira, Março 17, 2006

Transformação


Olhei-te no rosto e tomei-te como lágrima salgada do meu ser.
Eras tu.
Estavas á minha frente.
Olhei desesperadamente para a tua imagem
Enquanto desaparecias,

E te transformavas em algo mais.


Eras tu.

Estavas á minha frente.
Mas serias tu?
Como poderia eu saber

Se aquela coisa hedionda eras tu?

Tinhas-te transformado completamente.


Já não tinhas beleza natural,

Mas englobavas em ti um terror surreal,
Juraste-me amor eterno por três vezes,

Utilizando uma voz que não era a tua,

Falando através de um ser que não eras tu,

Sussurrando numa língua que eu pensava desconhecer.


E eu aceitei-te.
Tudo por ti,

Tudo porque te amo.

Sorry, I'm late...


Emanuel

Terça-feira, Fevereiro 21, 2006

Será?


Chamo a voz.
Será que ela ouve?
Ou será apenas uma simples voz?

Vejo o caminho.
Será que ele acaba?
Ou será aquela luz ao fundo
Apenas um reflexo dos meus desejos?

Simplifico as coisas.
A voz chama-me vinda da luz...
E eu sigo-a.


Loving with no doubts,
Emanuel
P.S. ---> dedicado a minha carla... amiga... bigadu por tudo... adoro-te!!

Quinta-feira, Fevereiro 02, 2006

Culpa


Os relógios derretem-se em horas
Indefinidamente passadas.
O tresloucar da minha mente
Derrete-se também.
A fome dos espíritos que vagueiam.
A sobriedade do tempo fechado em mim.

E o olhar da noite trespassava-me as feições,
Dilacerava-me a alma,
Queimava-me a consciência,
Torturava-me por dentro.

Os sofridos momentos de reflexão
Que a vida infernal me desperta,
Os episódios vividos na apatia,
O desespero contido ao longo dos tempos,
Libertam-me por fim
Como gritos horrorosos
Que trespassam carne, espírito,
Sentimentos,
E que incorporam em si
A dor lancinante da inolvidável Morte.

Por isso vejo-me sozinho agora,
Ser detestável vindo ao mundo,
Portador de peste irada
Que mata lentamente,
Traidor odioso
Que, com o suicídio,
Se tentou libertar da culpa.


I'm free!,
Emanuel

Sábado, Janeiro 21, 2006

Sorte deles

Sorte a daquele que é cego.
Sorte a daquele que é mudo.
Sorte a daquele que está morto.

Esses não vêem,
Não falam,
Não sentem.

Têm sorte…
Ao não verem, não sofrem as atrocidades
Das imagens com que nos temos de deparar
Todos os dias.
Imagens de horror, terror,
Mortos, guerras, desespero.

Têm sorte…
Ao não falarem, não dizem palavras
Que não querem dizer, que não pensam,
Não magoam as pessoas involuntariamente
Com palavras mal escolhidas.

Têm sorte…
Ao não sentirem, não podem experimentar
A dor da tortura,
A lenta e dolorosa morte por métodos por nós inventados
(Pois já estão mortos).

Mal sabem vocês a sorte que têm!
Porque ao não verem,
Não falarem e não sentirem,
Não sofrem, não magoam e não podem experimentar,
As imagens ou palavras que nos torturam,
Dia após dia,
Neste mundo infernal,
Neste antro de sofrimento eterno,
Do qual poucos têm a sorte
De escapar.





What about me?,
Emanuel

Quarta-feira, Janeiro 18, 2006

Egoísmo


Tenho uma proposta para ti. Tenta afundar-te no teu mais profundo Eu e reflecte. Não é difícil. Basta fechares os olhos e concentrares-te. Conseguiste? Óptimo. Então agora pensa… quantas vezes agradaste realmente a alguém com um carinho inocente? Pensa bem… Encontrarás a resposta num instante…
Somos demasiado egoístas para fazer carinhos inocentes. Existe sempre algo por detrás dos carinhos que fazemos a alguém, quer seja o facto de querermos mais atenção ou até mesmo o sexo. Nós os humanos, somos as criaturas mais egoístas que existem. Aproveitamos sempre a pouca liberdade que as outras pessoas têm em nosso proveito. Sempre foi e sempre será assim. E agora eu pergunto-me: até que ponto estarei eu certo?
Shouldn't life be more fair?,
Emanuel