Pesadelo I
Nuvens negras acercam-se de mim.
Um nevoeiro tenebroso tolda-me a mente,
Destrói-me o pensamento,
Dilacera-me a alma,
Corrói-me o coração,
Encontra-me o âmago,
Sussurra-me pesadelos inimagináveis.
Solta-se a minha voz
Num turbilhão de sons indistintos
Vindo de nenhures.
Altera-se o meu Eu
E transformo-me num Nada,
Destruído, dilacerado,
Corrompido.
A vida esvaiu-se por entre as minhas mãos fechadas
Em concha apertada.
Deixei-a fugir,
Dividi-a em fragmentos indistintos
De Morte inviolável.
O sangue escorre pelas paredes,
Mescla-se ao chão.
Assaltam-me memórias reprimidas
Pela consciência magoada.
Memórias de Morte,
Mórbidas até ao seu núcleo
Odioso
Feito de repressões, depressões,
Ilusões.
Salvam-se as memórias boas
Algures perdidas num resquício
Distante
Do meu Eu tresmalhado,
Do meu Eu sofrido,
Do meu Eu colhido
E ceifado ao meu mais interior espírito.
Sorry...
Illiar






